quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Urbanização intensa agrava mudanças climáticas, aponta relatório

crescimento desordenado das cidades potencializa o problema



Falta de planejamento na organização das cidades e crescimento populacional potencializam o problema
A intensa urbanização, a falta planejamento na organização das cidades e a redução da vegetação põem em xeque os países do Sudeste Asiático e do Pacífico, que sofrem com os efeitos das mudanças climáticas, indicou um estudo da empresa de consultoria Maplecroft, divulgado na quarta-feira, 26 de outubro.
Inundações como as da Tailândia, o paulatino afundamento da capital das Filipinas e o desaparecimento de inúmeras ilhas do Pacífico pelo aumento do nível do mar são algumas consequências das mudanças climáticas, segundo o relatório.
“O crescimento da população combinado com governos pouco eficientes, corrupção, pobreza e outros fatores socioeconômicos aumentam o risco para a sociedade e os negócios”, alerta o comunicado.
O estudo analisa os países mais vulneráveis às mudanças climáticas, as cidades mais ameaçadas, as zonas econômicas e os perigos para a população mundial.
“O impacto e as consequências de um desastre ambiental grave não só afetam a população e economia locais, mas podem ser de importância mundial, especialmente porque o peso destas economias está aumentando”, explicou à EFE o analista ambiental da empresa, Charlie Beldon.

Consequências globais
A Tailândia, que ocupa o 37º lugar da lista entre os países com maior risco, sofre atualmente as piores inundações dos últimos 50 anos, que ameaçam inundar Bangcoc – já causaram 366 mortes e afetam 9 milhões de pessoas.
Um vídeo da ONG tailandesa Roosuflood culpa a destruição do ambiente para a construção de parques industriais e áreas residenciais como a causa das inundações, e aponta que o volume das precipitações neste ano não foi muito maior do que nos anos anteriores.
O relatório da Maplecroft afirma que a construção de infraestruturas para expandir as cidades pode dificultar a resposta aos desastres, cada vez mais frequentes.
Conforme o relatório, a capital Manila é “extremamente vulnerável” às mudanças pelo rápido crescimento da população, que deve ganhar mais 2,2 milhões de habitantes entre 2010 e 2020, e por seu elevado risco de sofrer inundações e tempestades.
No início de setembro, o Fórum das Ilhas do Pacífico, realizado na Nova Zelândia, alertou sobre a situação de vários estados insulares, como Tuvalu, Kiribati e as Ilhas Marshall, que submergem lentamente por causa do aumento do nível do mar.
Os efeitos também podem aparecer em países desenvolvidos, como ocorreu este ano na Austrália, com as graves inundações em Brisbane, e na Nova Zelândia, com o terremoto que devastou a cidade de Christchurch.
Outras áreas do planeta, como a África e América do Sul, também são vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
O relatório da Maplecroft aponta que os riscos também podem oferecer oportunidades de investimento pela “mudança na demanda de bens e serviços” e “modificar” os existentes diante das novas necessidades.
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