quinta-feira, 8 de março de 2012

#somostodasFEMINISTAS






O 08 de Março é uma data histórica na luta contra a opressão das mulheres de todo o mundo e nós mulheres estudantes também estamos nessa luta!

Apesar das inúmeras vitórias conquistadas pelas mulheres ao longo dos anos, muitos são os desafios para nossa emancipação. Não podemos nos enganar com o discurso triunfalista. O machismo ainda existe e é estruturante no sistema vigente. Ele organiza a divisão social do trabalho definindo tarefas de homens e de mulheres e seus papéis na sociedade, além de mercantilizar o corpo da mulher.

A crise do sistema capitalista e patriarcal atinge principalmente as mulheres, com demissões e a redução de seus salários já tão desiguais. Tais consequências nos impõe a esfera privada, estimulam a prostituição e o tráfico de mulheres.

Nós mulheres reafirmarmos: Não pagaremos por esta crise!  E nossa resposta será dada nas ruas em unidade com todos os movimentos sociais.


A universidade, também, tem que ser das mulheres!

O corte no orçamento de 55 bilhões, anunciados pelo governo, impacta diretamente em áreas estratégicas como a educação, que em 2011 e 2012 sofreu um corte de 3,1 bilhões e 1,9 bilhões respectivamente.

Nós mulheres somos maioria no ensino superior e não ficaremos caladas frente essa atitude do governo! Lutamos por uma universidade pública, gratuita e de qualidade que seja também para as mulheres brasileiras. A universidade que temos hoje é estruturada por uma educação sexista e nossos currículos ainda apresentam conteúdos androcêntricos que não consideram a história de luta das mulheres, assim como sua contribuição na sociedade. A nossa participação nos espaços de chefias e nas pesquisas e na pós-graduação ainda é restrita. Nos cursos “socialmente” masculinos, as mulheres estudantes enfrentam a violência sexista todos os dias, logo, é preciso criar mecanismos que verdadeiramente incluam mais mulheres nos espaços de construção e difusão do conhecimento.

Creches já!

A permanência das mulheres estudantes é ponto central para que possamos superar as opressões que se materializam cotidianamente nas nossas vidas. Atualmente, menos de 20% das crianças até 3 anos têm acesso a esse serviço no país. A oferta de equipamentos públicos que facilitem a vida das mulheres, a exemplo de creches e restaurantes populares, são sempre secundarizados ou com poucos recursos. Acreditamos que a pauta feminista deve ser transversal a todas as ações e políticas que o Estado executa. Queremos a entrega das seis mil creches prometidas até 2014 e que as universidades se responsabilizem por construir e implementar escolas de aplicação em tempo integral atendendo as demandas concretas das mães-estudantes. Também é tarefa nossa tratar das políticas de ações afirmativas dando o recorte racial e atendendo as demandas de permanência, descolonização do conhecimento e do combate ao racismo e machismo.

Chega de violência, somos mulheres e não mercadoria!

Sob esse lema nós condenamos os trotes e calouradas machistas que se repetem nas diversas partes do país. A violência contra a mulher não pode ser naturalizada ou tratada como piada. O corpo e a vida das mulheres são expostos como objeto de consumo, essas relações de poder necessitam ser mudadas e não podemos tratar disso de forma descolada do combate ao sexismo. O machismo mata e violenta! Nossa tarefa é combater suas diferentes formas de expressão!


Nosso corpo nos pertence!

Ao passo que as mulheres conquistam avanços significativos no o combate à violência sexista, exemplo da Lei Maria da Penha e interiorização das DEAMs, ainda nos deparamos com os retrocessos no debate sobre sua autonomia, seu corpo e a negação de seus direitos sexuais e reprodutivos. As bancadas religiosas e setores conservadores têm feito ataques sistemáticos às propostas que avançam na desnaturalização da maternidade, que em nossa sociedade ainda é uma tarefa que organiza a vida das mulheres. Entendemos que as mulheres tem o direito de decidir quando, como e se serão mães. Lutamos pelo estado laico. O que é pecado para alguns não deve ser crime para todas. A legalização e descriminalização do aborto é uma bandeira de luta da UNE e construímos com as diversas organizações feministas a Frente Nacional Pela Legalização e Descriminalização do Aborto, espaço de sínteses e pressão popular sobre o tema que considera os aspectos da saúde pública, da sexualidade das mulheres e da desconstrução do modelo de poder exercido sobre seus corpos e suas vidas.

Lugar de mulher é na política!

Lutamos por uma Reforma Política que inclua as mulheres para que conquistem a paridade e alternância de gênero nas indicações nas listas fechadas, além do investimento público de campanha. Acreditamos que com mais mulheres na política, comprometidas com a agenda feminista e com um projeto político transformador para a sociedade, teremos mais políticas para as mulheres! É necessário também refletirmos sobre os nossos próprios desafios. A universidade, para ser também para as mulheres, tem que ter mulheres com esse mesmo compromisso nos espaços de decisão. Por isso propomos para a universidade paridade entre mulheres e homens nas instâncias de decisão! O desafio das nossas entidades estudantis também deve ousar mais, devemos sair da cota de 30% e adotar a paridade em nossas direções já em nossas resoluções!

Feministas!

O feminismo nos orienta na construção de novas relações sociais, de um desenvolvimento econômico com valorização do trabalho das mulheres, com uma sociedade que respeite as diferenças e de um Estado que garanta nossos direitos. Assumir a identidade feminista é lutar cotidianamente contra todo o tipo de violência que sofremos por sermos mulheres, é não aceitar imposições e regras que nos segregam e excluem.

Fazemos aqui um chamado a todas para que se juntem a nós nessa batalha diária para mudar o mundo e a vida das mulheres!

Reafirmando seu papel histórico, lançamos neste mês o “Março Lilás da UNE”, para construir cada vez mais uma entidade feminista, longe do machismo e do sexismo. Realizaremos diversas mobilizações nas universidades de todo o país, denunciando as opressões ainda presentes na sociedade, além de estarmos organizadas junto ao movimento de mulheres nacional aos atos de rua unificados no dia Internacional das Mulheres.

Precisamos provocar e registrar o debate contra o machismo levado por essa ação e fortalecermos nossa intervenção feminista e libertária na caravana da UNE Brasil +10, atividade que percorrerá todos os estados brasileiros nos próximos meses. Dessa maneira colocamos no centro da discussão do país que queremos para os 10 anos a transformação da sociedade numa perspectiva de libertação das mulheres pelas opressões vividas.

A luta das mulheres ao longo de décadas foi invisibilizadas por trás de uma história que conta muito pouco sobre nós. Neste 08 de Março, dia Internacional das Mulheres, a UNE afirma que o nosso horizonte é a desconstrução de um mundo machista e patriarcal. Essa luta nos UNE!

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